A imagem poética na obra de Victor Luz
É sobre a delicadeza que invade o imaginário poético de um olhar fixo na lente performativa, onde pintura e fotografia, literatura e escultura, parecem criadas por vozes que chegam e vão na cadência da rima, como se rimar fosse apenas alterar a sonoridade das letras e não a composição simétrica do espaço, e assim constrói o criador, agarrado à nuvem do tempo, desenhando uma geometria de alma complexa num tempo perturbador, soam linhas fixas, curvas cilíndricas, no sossego ansioso do sentir humano, do autor, detalhado, sinóptico, substantivo, procurando a melodia da palavra, a estabilidade do desenho, a eternidade da memória, das cidades figuradas como Calvino as concebeu, carregadas de histórias, são as cores que nos dizem, a totalidade, como se a abstração, em visualizações simétricas, aparentemente épicas, dramaticamente eleitas, correspondesse à gramática da criação, mas as imagens não se sobrepõem, porque a história de quem foi é a constância do será, feita de camadas integralmente localizadas, espessas na tragicidade, a saudade, sempre eterna, esférica, os anéis sumptuosamente descritos nos entrelaçados fios, tecidos, entrecortados, há pontos fixos num mundo concebido como vontade, silenciosamente dito, há visualizações próprias da enormidade dos gritos que ouvimos e secam, mas está lá, na reta infinita onde tocamos a imagem poética, a rouca volumetria das paredes ouvidas, do sussurro do mundo, que torna o autor um construtivista da plástica concepção da metáfora.
É dessa que falará o futuro.
Victor R. Gonçalves
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Palavras © Ana Paula Lemos
Foto nesta página © António Abreu
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